Beatriz Milhazes mostra esculturas inéditas no Brasil

Beatriz Milhazes mostra esculturas inéditas no Brasil

A artista apresenta primeiros trabalhos no desafiador campo da Escultura

   São três trabalhos tridimensionais, de grandes formatos - entre 226 e 289 centímetros – e estreitos com as obras bidimensionais da artista. Além de abraçarem aspectos escultóricos, as obras propõem novas percepções. Motivos característicos da obra de Milhazes, como o círculo, a flor e o arabesco tomam conta do espaço e estabelecessem entre si um novo tipo de relação corporal, física, determinada também pelos intervalos entre elementos e pelo ângulo pelo qual são observados. “Esta possibilidade física é uma área de investigação que a pintura não oferece. Minhas ideias e conceitos estavam totalmente ligados ao plano. A maior dificuldade foi começar a raciocinar em três dimensões. A partir do meu repertório, aprofundei o trabalhar verticalmente, evoluindo na tridimensionalidade. Foi quase uma aventura”, afirma Beatriz Milhazes. Na imagem, Mariola, 2015, escultura, alumínio, latão, cobre, acrílico. 

Pesquisa em processo

   As obras começaram a ser desenvolvidas em 2010. Os títulos, como costuma acontecer na produção de Milhazes, pretendem gerar interesse pela obra e afirmar ritmo e sonoridade, estabelecendo uma brasilidade nas peças. A artista criou as três obras ao longo de cinco anos de pesquisa, realizando inclusive diversas maquetes em tamanho natural, na Durham Press, Pensilvânia (EUA), onde desde 1996 desenvolve sua produção gráfica. Inéditas no Brasil, as três peças foram exibidas nas galerias que representam a artista – a James Cohan Gallery, em Nova York, e a Max Hetzler, em Berlim e Paris.

Beatriz Milhazes, Marola, escultura

Beatriz Milhazes, Marola, escultura

Esculturais

   A maior das três obras e a primeira a ser concluída é “Marola”, que tem corpo mais denso no espaço, com largura e espessura quase equivalentes. Segundo Milhazes, ela ainda apresenta uma forte conexão com a ideia do móbile, remete ao ir e vir das ondas, à noção de movimento constante e sedutor. O título “Mariola” traz referências dessa cultura que nutre a artista em suas investigações. É o nome de um doce popular, o doce de banana bem apurado e vendido em pequenos pedacinhos. “Marilola” é uma brincadeira lúdica de palavras, num procedimento que se assemelha ao jogo espacial que a obra estabelece a partir da associação de diferentes materiais e cores, com menos de meio metro de espessura e funciona quase como uma cortina. Nas três peças, o conjunto é articulado a partir de um desenho em metal, que serve de suporte para os diferentes elementos. Há nessas composições uma lógica semelhante à da colagem, fortemente presente na pintura de Milhazes.

Beatriz Milhazes, Marilola, escultura

Beatriz Milhazes, Marilola, escultura

Pré-escultural

   Em 2004, Beatriz Milhazes criou pela primeira vez uma obra tridimensional para um cenário de um espetáculo de dança de sua irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes. Era uma espécie de lustre no centro do palco. Esse desafio despertou na artista essa possibilidade. Em 2013, ela apresentou a série “Gamboa”, no Paço Imperial, Rio de Janeiro. “Não considero que ‘Gamboa’ lide com o volume, com o espaço arquitetônico, físico”, afirma a artista, que continuou a pesquisar essa possibilidade. Uma diferença marcante entre as obras escultóricas atuais em relação à experiência de “Gamboa”, por exemplo, é o tipo de material utilizado. Antes, a artista usou elementos próximos à cultura do carnaval e da festa de rua. Nas esculturas mais recentes, Beatriz Milhazes trabalhou com elementos mais resistentes e atraentes como metais polidos e acrílico. E realizou as intervenções pictóricas sobre madeira.

Milhazes explorou materiais resistentes e não vê "Gamboa", 2010 (acima), como uma escultura

Milhazes explorou materiais resistentes e não vê "Gamboa", 2010 (acima), como uma escultura

Obra reunida

   Ainda este ano, grande parte da obra de Beatriz Milhazes vai estar reunida em um volume da série especial que a editora alemã Taschen dedica a grandes pintores contemporâneos. O livro, em grande formato, terá tiragem limitada e faz parte de um seleto grupo de homenageados que já inclui nomes como Jeff Koons, Cristopher Wool, Neo Rauch, Albert Ohelen, Darren Almond, Ai WeiWei e David Hockney.

Trajetória

   Beatriz Milhazes é formada em Comunicação Social. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1980, onde estudou até 1983. Como professora de pintura, lecionou até 1996. Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas brasileiras. Consolidou sua carreira no circuito nacional e internacional das Artes Plásticas com participação nas bienais de Veneza (2003), São Paulo (1998 e 2004) e Shangai (2006). Fez exposições individuais em museus e instituições prestigiosas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo (2008); a Fondation Cartier, Paris (2009); a Fondation Beyeler, Basel (2011); a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2012); o Museo de Arte Latinoamericano (Malba), Buenos Aires (2012); e, mais recentemente, o Paço Imperial, Rio de Janeiro (2013), e o Pérez Art Museum, Miami, USA (2014/2015). Suas obras integram as coleções do Museum of Modern Art (MoMA), Solomon R. Guggenheim Museum e The Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova York; do 21st Century Museum of Contemporary Art, no Japão; e do Museo Reina Sofia, em Madrid, entre outros.

“Marola, Mariola e Marilola”

Abertura dia 20 de maio de 2017, às 14h

Término dia 15 de julho de 2017

Carpintaria, Rio de Janeiro

 

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